
Uma cena muito comum em filmes épicos americanos, daqueles antigos: um pai enlaça o filho pelo ombro, leva-o até a varanda do casarão, e com o braço estendido, aponta para a grande vastidão da planícies que se descortina aos seus olhos, e diz:
-Meu filho, um dia, tudo isso será seu.
Parto dessa lembrança para imaginar uma outra cena que talvez ajude a começar esta breve discussão sobre adolescência: um pai enlaça o filho pelo ombro e o traz até a janela do conjugado no décimo pavimento de um prédio de vinte e cinco apartamentos por andar. Delá, se descortina aos seus olhos uma cidade poluída e superpopulada, onde grassam a fome, a miséria, as favelas, onde dezenas de pessoas morrem diariamente em acidentes e homicídios, onde individuos-autômatos correm, consomem e competem por dinheiro e êxito pessoal; num país aviltado durante vinte anos pela ditadura e pela corrupção, massacrado pela dominação cultural e econômica; num mundo contantemente em guerra e ameaçado pela destruição nuclear. Ele aponta para tudo isso e diz:
-Meu filho, um dia...
Não tenho dúvidas de que muitos dos nossos pais não vacilariam em oferecer essa herança a seus filhos. Mas me pergunto se o jovem de hoje pode ou deve se conformar em aceitar esse mundo, aprendendo a acreditar que não existem alternativas.

Experiência é quando renunciamos aos erros da juventude para substitui-los pelos da idade.
ResponderExcluirNem sempre podemos construir o futuro para nossa juventude, mas podemos construir nossa juventude para o futuro
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